Pavlov era blogger
Pasmo, pasmo perante a capacidade opinativa dos meus concidadãos. E nem sequer estou a referir-me aos que comentam como modo de vida, maugrado a presteza com que se disponibilizam a glosar qualquer mote, do aumento do preço do feijão carrapato, em que os novelistas são exímios, à nacionalização das grandes indústrias bolivianas, tema sempre querido dos cronistas desportivos, passando pela exposição de botões de fraque de Dali no CCB, frequentada por tantos distintos economistas, ou pelas lágrimas do Cristiano das fintas, para já não falar das fintas do Cristiano das lágrimas – a ordem dos factores é arbitrária, o que me levaria também ao Cristiano das fintas de lágrimas - que devem sempre ser comentadas por professores de Direito. De preferência, professores de Direito que joguem ténis, isso de bolas é tudo redondo, com excepção das ovais, mas também há poucos catedráticos a praticar rugby. Culpa das hérnias discais. Afinal, o profissional da parlapatice é o moderno vendedor de banha da cobra e a um publicitário tudo se perdoa. Sobretudo quando quer por força ir de burro.
Nem mesmo aos anónimos das entrevistas de rua: reconheço que com uma câmara chapada na cara e um microfone debaixo dos queixos, esgazeado pelo barulho das luzes, é complicado um cidadão titubear ao mundo a sua ignorância quando pode perfeitamente dizer que acha mal. Ou bem. Ou acha mal e bem, dependendo.
E menos ainda aos frequentadores dos espaços de opinião das estações de rádio. Do pouco que tenho ouvido, dá-me a impressão que são sempre os mesmos, meia dúzia de fulanos que sobem para cima de um caixote metafórico todos os dias à mesma hora para debitar raiva aluada. Enfim, antes isso que bater no cachorro.
O que não cessa de m’espantar é o exercício de juízo diário, construído nas páginas dos blogs e similares: cada português com um computador, uma ligação à Internet e a capacidade de compor duas frases, opina convicto sobre tudo e todos. Instantaneamente, é só juntar água. Muita. O internauta nacional só pode ser um espécime cultíssimo, informado até à medula da tecla, perito múltiplo e de gatilho mais rápido que a sombra do Lucky Luke.
E isto é grave e potencialmente traumático para os opilentos - termo cunhado para designar os pobres de gatilho que, mesmo na área de conhecimento em que são pagos para opinar, tantas vezes têm de examinar, investigar, reflectir, antes de debitar parecer. Por isso, ó inocentes da googlomania, ó desprovidos do cola com cuspo, vá de tomar posição, como quem toma ares, sob pena de colossal complexo de inferioridade. Assim como assim, há outros "exos" acabados em "ade"… reflexo de superficialidade, amplexo de alarvidade ou sexo de angelical idade.
Por mim, vou já lançar o primeiro calhau: a crise loromona? obviamente, a revolta proveio da cabeça dos australianos, para controlar os bancos de ostras do mar de Timor e manter a superioridade piscícola na região. Cabala urdida com cumplicidades internas, pois Kirsty Sword é testa de vento e o marido tola pesada.
E, numa manobra de antecipação fulgurante, aproveito para dizer que não me restam dúvidas que o assassino foi o Professor Pardal, nos estábulos, com a faca da manteiga.
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